Projeto da ONG ConservaA�A?o Internacional chama a atenA�A?o de chefs com crustA?ceo que promove conservaA�A?o do ambiente e traz benefA�cios a comunidade pesqueira na Bahia

31 agosto 2016 | 19:10por Ana Paula Boni
Quatrocentos caranguejos-uA�A? iguais a esses abaixo viajaram mais de 1.600 km do sul da Bahia atA� o hotel Grand Hyatt em SA?o Paulo, onde chegaram no A?ltimo sA?bado (27) ainda vivos e envolvidos numa espuma encharcada com a A?gua do mangue onde viviam, em Canavieiras.

Caranguejos de reserva no sul da Bahia prontos para transporte em caixa com espuma molhada com A?gua do mangue

Caranguejos de reserva no sul da Bahia prontos para transporte em caixa com espuma molhada com A?gua do mangue Foto: Priscila Steffen|ConservaA�A?o Internacional|DivulgaA�A?o

Foram cozidos e descascados um a um por 16 cozinheiros num trabalho que durou 5 horas, para depois virarem geleia de caranguejo com tapioca hidratada, croquete de batata com caranguejo e maionese de wasabi, mil-folhas de pupunha com caranguejo e outras receitas.

Elas integram a Semana do Caranguejo, que atA� domingo (4) oferece o crustA?ceo em pratos dos restaurantes do Hyatt (Eau, Kinu e C-Cultura Caseira), alA�m de Suri e KarA?, para divulgar o projeto Pesca + SustentA?vel, da ONG ConservaA�A?o Internacional (CI) em parceria com comunidades de pescadores.

A premissa da ONG, que estA? hA? quase 30 anos no Brasil, A� promover a conservaA�A?o do ambiente incentivando prA?ticas sustentA?veis de pesca a�� A?rea sensA�vel na cadeia do alimento no Brasil. A� a primeira vez que eles fazem um projeto 100% nacional em que a ponta final A� a alimentaA�A?o e, sem know-how na gastronomia, buscaram chefs para divulgar o produto. HA? dois meses, uma oficina reuniu chefs no Clandestino para apresentaA�A?o do produto.

A chef Bel Coelho, do Clandestino, aprovou a carne do caranguejo e queria usA?-lo em pratos, mas achou a logA�stica complicada para o tamanho da sua cozinha, jA? que ele chega inteiro, nA?o descascado. Por isso, foram tantos cozinheiros usados no Hyatt para descascar os bichos. “VocA? tem de se apropriar do produto. Essa parte trabalhosa faz parte de o produto ser seu”, diz o chef-executivo do Hyatt, Thierry Buffeteau.

Sukiyaki com caranguejo do restaurante Kinu, do hotel Hyatt

Sukiyaki com caranguejo do restaurante Kinu, do hotel Hyatt Foto: Priscila Steffen|ConservaA�A?o Internacional|DivulgaA�A?o

Como os consumidores nA?o comem apenas comida, mas toda a histA?ria que vem com ela, a ideia da ONG A� justamente divulgar como esse caranguejo – e em breve outros produtos, como robalo – foi retirado de forma correta do seu habitat a preA�o justo sem a necessidade da venda barata a intermediA?rios.

a�?Eu nA?o sou contra o atravessador, mas ele escraviza o pescador. Quando o atravessador A� o A?nico que compra e paga pouco, o pescador tira demais do ambiente, inclusive em A�poca de procriaA�A?oa�?, diz FA?bio Oliveira Santana, da AssociaA�A?o MA?e dos Extrativistas da Resex (reserva extrativista) de Canavieiras, na Bahia, primeira parceira da CI no projeto. a�?Nosso objetivo A� frear essa pesca exorbitante. Em 2000, de tanta retirada, o caranguejo chegou a zero no nosso mangue.a�?

Moradores da resex como FA?bio sempre estiveram na mA?o de atravessadores e, agora com o projeto, ganharam o apoio logA�stico e financeiro para terem a prA?pria frota de distribuiA�A?o. A� assim que o caranguejo chega em caminhonetes em SA?o Paulo apA?s serem transportados por cerca de 30h.

Parte desse dinheiro – R$ 1 milhA?o que a CI ganhou do prA?mio Desafio Impacto Social Google, em 2014, para desenvolver o projeto em Canavieiras – tambA�m foi usado para desenvolver o programa de rastreamento. Cada caixa de caranguejo chega ao cozinheiro com um cA?digo (QR code) a ser escaneado com o celular e que traz informaA�A�es de onde e quando foi retirado.

Pescador mostra caranguejo da reserva extrativista de Canavieiras, no sul da Bahia

Pescador mostra caranguejo da reserva extrativista de Canavieiras, no sul da Bahia Foto: Priscila Steffen|ConservaA�A?o Internacional|DivulgaA�A?o

A ideia da ONG, que jA? tem outras A?reas-piloto para o projeto, A� valorizar quem estA? produzindo pescado de forma correta. a�?O melhor caminho para preservar os oceanos A� pescar melhor, nA?o pescar mais, que resulta na sobrepesca e A� o que predomina hojea�?, diz Guilherme Dutra, coordenador do projeto na CI.

Mas, se o objetivo A� ser sustentA?vel, por que deslocar o caranguejo por mais de 1.600 km? Segundo Guilherme, os mercados que jA? compravam dos atravessadores, como Salvador e VitA?ria, jA? estA?o sendo reforA�ados. a�?Mas sA?o os chefs de SA?o Paulo que lanA�am tendA?ncia para o Brasil inteiro, nA�?a�?

SERVIA�O

SEMANA DO CARANGUEJO

C-Cultura Caseira, Eau e Kinu

Hotel Grand Hyatt a�� Av. das NaA�A�es Unidas, 13.301, Vila Cordeiro, tel. 2838-1234

KarA?

R. Joaquim Antunes, 48, Pinheiros, tel. 2507-5932

Peixaria N. Sra. de FA?tima

Mercado de Pinheiros – R. Pedro Cristi, 89, Pinheiros, tel. 3032-1221

Suri

R. Mateus Grou, 488, Pinheiros, tel. 3034-1763